quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"Let it be"

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Quantas "últimas chances" serão necessárias pra sanar essa cratera no meu peito?
Cada chance jogada fora vem acompanhada da mais doce frustração.
O veneno agridoce que não preciso e desejo tanto, o
Vício inabalável que me destrói.

Os bloqueios avisam o perigo que o pensamento pode causar,
Então a insanidade chega e me faz ousar.
As tentativas em vão são enterradas e a concepção anterior reformulada.
O que seria feito dos brinquedos quebrados se conservados?

A falta de chuva alastra a mente pra ocultar o estrago e desejar outras saídas.
A cadeia repete- se.
A Vida continua sendo sugada e o exorcismo parece nunca chegar.

O caminho tende a piorar, ficando mais estreito em cada curva ou atalho utilizado.
Se não posso desafiar a Física, terei de seguir ao extremo e aprendendo
Que é melhor aprender antes do que ser vítima de gameshark desatualizado do desconhecido.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Noturnos

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Pelo vidro, as luzes da escuridão tremiam e obscureciam as silhuetas.
Por dentro, o frio estava intenso a ponto de congelar o meu corpo.
Nossos passos emitiam a mais bela melodia, a melodia da Vida.
Assim que me tocou, senti o sabor acre de hortelã em sua boca.

Deliberadamente, me entreguei e
Nos seus encantos, me afoguei.
Despertando solitariamente, não exigi nada para ninguém.
Tive o que me convém.

Sozinho no quarto de hotel, deixei os fantasmas do passado me atormentarem.
Fiz o que não deveria... cai em tentação.
Estava anestesiado em dor e prazer.

Pela porta entreaberta, ela voltou e sussurrou ao meu ouvido. Sorri.
O brilho da sua lâmina atravessou o meu coração. Sutilmente, vi a escuridão se fechar ao meu redor.
Noturnos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

"Inacabada"

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Horas não contadas,
Os meus sentidos estão desligados.
Preciso fechar os olhos para
Acordar desse devaneio sem saída.

É uma guerra interna, uma batalha ideológica
Auto suficiente destrutível.
O cemitério é o meu recipiente,
Lugar que a alma solitária é aprisionada.

Encolhido na densa escuridão iluminada,
Qualquer desconhecido é conhecido.
Sempre esqueço o principal dessa passagem, afinal...

O recomeço é a contra-mão por onde os erros voltam em ciclos.
Sempre as mesmas coisas, sempre as mesmas indagações.
Acorda.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Entrelinhas

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Quanto tempo foi necessário? Nem eu sei dizer...
E com simplicidade, atingiu a minha zona de perigo.
Algumas conversas e muitas risadas.
Um devaneio acordado: meu coração não aguentou.

Exótica, fez as minhas estruturas balançarem.
Encontrei alegria nesse teu jeito jovial de ser mulher.
E de várias formas lutei contra o desejo, mas
Foi inevitável.

Negra, qual é o segredo desse teu sorriso?
É uma complexidade desconexa, um enigma que preciso decifrar.
Bela por existir.

Antes mesmo de pensar em acontecer, havia acontecido.
É um fogo que incendeia os meus sentimentos.
Música que me completa por inteiro.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Cena 1

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Após dias desacordado, o telefone toca e ele desperta quase que automaticamente e leva a mão ao gancho:
- Alô? - Diz com uma voz rouca e abafada. - Quem está falando?
Do outro lado da linha, uma voz suave e meiga responde:
- Amor, sou eu. Estou ligando há dias e você não atende... Como vai? O que aconteceu?
No momento em que Fernando compreende com quem está falando, recorda de tudo... Foi uma briga simples, algo que todo casal deve superar com o passar do tempo.
Era uma da madrugada quando Lúcia decidiu desistir de ligar e esperar Fernando acordada. Foi para a cama com o coração na boca e os pensamentos nele: "ele estará me traindo agora?" "o que será que aconteceu para ele não me atender?", era tudo em que pensava. Mas assim que deitou, pegou no sono. E logo em seguida, Fernando chega em casa. Bêbado e despenteado. Foi direto acordar Lúcia, mas quando ela percebe a situação do marido, fica furiosa:
- Você está BÊBADO, LUIZ FERNANDO! BÊBADO! E essa marca de batom na sua camisa?! - diz, nervosa.
Desajeitado, ele procura pela tal marca de batom e percebe que realmente havia uma.
- Amor, não sei o que isso significa. Não estava traindo você, apenas bebi muito e passei dos limites. Me desculpa, estava comemorando a minha promoção no traba...
- DESCULPA?! Você chega em casa bêbado e com uma marca de batom na camisa e quer que eu pense o que?
- Mas amor, eu te amo! Nunca faria isso com você. Deixa eu explicar...
- Quer saber, acabamos aqui e agora. Chega, vá embora agora. Não quero ouvir a sua voz tão cedo. - Lúcia disse aquilo com lágrimas nos olhos e as pernas tremulas.
Sem alternativas, Fernando deixa o quarto. Antes de sair da casa, pensa em voltar até o quarto e tentar conversar, mas o álcool era maior e ele nem chega a tentar. Saindo de casa, toma um táxi qualquer para o seu antigo apartamento.
Chegando, foi direto ao banheiro decido a acabar com a sua vida. Como viveria sem a mulher da sua vida de agora em diante? Pegou o vidro de comprimidos para dormir que estava no lavabo e despejou todos na boca. Depois dos comprimidos, foi direito para a cama e apagou com a intenção de nunca mais acordar. Apesar do desejo, acordou dias após com Lúcia do outro lado da linha:
- Lúcia, posso explicar tudo. - Fernando diz nervosamente.
- Amor, não precisa explicar nada. Todos do seu trabalho estão preocupados com você, principalmente eu. Seu chefe me contou tudo.
- Ah. - Aliviou- se por um momento. - Então, você irá me aceitar novamente?
- Lógico! Você não sabe o que eu passei durante esses 4 dias que você estava sumido.
- Me perdoe, prometo que não acontecerá novamente, amor. Você é única na minha vida... é difícil explicar essas coisas do coração. A única coisa que sei, é que te amo no fundo do meu coração, e caso eu perca você, irei junto. No momento em que brigamos, perdi o meu chão. Perdi você, perdi meu Mundo. Eu te amo, é isso que quero que você entenda. - Fala sorrindo e com uma sensação de tremor no coração.
Lúcia fica calada por um instante e depois cria forças para responder àquela declaração:
- Luiz Fernando... Sabe que sinto o mesmo por você. Não quero perdê- lo novamente. Em qual lugar você se encontra? Quero ir ao seu encontro, preciso do teu calor.
- Estou no meu antigo apartamento.
- Chego em quinze minutos. Quinze! Beijos, te amo.
- Também te amo, Lu.
Passado os quinze minutos, o telefone de Fernando toca. Ansioso e pensando que era Lúcia, atende:
- Por que a senhorita não chegou até agora, dona Lu?! - Rindo, fala em tom de provocação.
Do outro lado da linha, uma voz dura e escura responde:
- Senhor Luiz Fernando? Sinto muito em lhe informar, mas a sua esposa Lúcia, sofreu um grave acidente.
- Acidente?! Como ela está? Preciso ir no local agora. - fala deixando o nervosismo falar mais alto.
- Você terá que ser forte... a sua esposa, ela... morreu. - o homem entrega a sua sentença de morte.
Nesse momento, as palavras foram proferidas como lanças de fogo no coração de Fernando. Desnorteado, larga o telefone e se entrega ao chão frio.
- NÃO É POSSÍVEL! Lu, meu amor, minha pequena. Por que Deus? POR QUE a tirou dos meus braços?! Eu a amo TANTO! - desabou em lágrimas. Quando conseguiu levantar, saiu do apartamento gritando pragas por sua amada. Lá fora, chovia pesadamente e o horizonte estava cinza de um tom fúnebre.
Correndo no meio da rua, se jogou no meio de uma carreta que não teve tempo de frear. Após o impacto, Fernando estava estatelado no chão: com vários hematomas, o coração em pedaços e sangue na boca.
A chuva o afogava no seu próprio sangue. Dando seus últimos suspiros, ele pronuncia a sua última frase aos céus: - Lúcia, agora estaremos juntos. Nosso amor será eterno, eu te amo.
***

Com a analise concluída, o diretor larga o script na mesa e fala para os atores:
- Vamos começar a gravação?