Na sujeira da sua ex-muralha, o desejo de vingança flutuava e cegava-o; um surdo-e-mudo por brincadeira do destino. No sofá da sala, a moça estava estática com aquele brutamonte em sua intimidade. Ele, sujeito da vida, buscava o prazer naquelas curvas que um dia foram cheias de charme e desavenças. Quando o líquido transparente foi expelido, simplesmente deixou-se cair ao lado do cadáver e cochilou até o luar entrar pela janela aberta e o acordar. Com as vestimentas dum verdadeiro corvo, olhou para o relógio na parede rachada e uma súbita vontade de matar entrou no seu pobre coração.
O frio da chave de sua Harley-Davidson o trouxe calafrios, mas mesmo assim, deu partida e começou a cantar mentalmente para afastar os demônios que a noite guardava. A cidade estava tão escura que ele pensou que outro furação passara por ali. A baixa luminosidade das vielas dava o tom obscuro perfeito para o assassino obter êxito na sua caçada. O plano perfeito estava para entrar em ação. Apenas alguns minutos... No final da rua, a casa azul destacava-se pela beleza incomum naquele pobre bairro. Desceu de sua Harley e pôs-se em movimento quando um refrão o atingiu: “I've got to break free...”
Na fechadura da porta de madeira preta, usou suas táticas de bandido, abrindo-a após poucos segundos e entrou na sala, desejando saciar sua sede de sangue. Sorrateiramente, caminhou pela sala e checando todas as portas que ali havia, subiu as escadas e olhou fixamente para a única porta que estava no final do corredor iluminado por candelabros tortos nas paredes. Empurrou a porta dum modo tão silencioso, que por um instante, ouviu apenas a sua leve respiração e a do homem que matara sua mãe.
O gosto da bílis encheu a sua boca assim que a imagem do homem debruçado apenas de cueca no colchão entrou em foco. O ódio que sentiu limpou as dúvidas que poderia ter naquele momento. Um breve resumo mental entrou em foco: os sorrisos da mãe; os amigos de escola; momentos felizes... o assassinato de sua mãe e o início da metamorfose animalesca da sua alma. Sacou a faca e, depositando toda a sua fúria, desferiu um golpe no pescoço de porco do homem. O futuro morto abriu os olhos e lágrimas caíram, mas não havia mais nada pra ser feito.
Descendo as escadas, deparou-se com uma jovem fechando a porta da sala. A filha do otário pensou. Com a faca na mão, o deleite sanguinário confortou o seu ego mais uma vez na noite.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Transcendente
Frágil diante do medo, a essência da alma é exibida.
Não há saída para as dores, nem para os amores,
É fugir para não deixar-se levar.
E ali estavam os nossos protagonistas: na decadência humana.
Não havia sensibilidade pelo objetivo. A caça era tudo.
O lamento chegava a ser estúpido.
Truísmo.
A perseguição não durou mais que alguns tremores corporais.
Sempre as mesmas palavras e lamentos.
O uivo final!
Observando o tesouro vermelho pelas fendas distintas,
A alma da vítima era derramada de suas presas. O final decadente.
O que merecemos.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
"The Dark Side of the Moon"
Os sóis que ali brilhavam, jaziam ofuscados pela densa neblina.
As raças extintas, eram resultado das grandes revoluções anarquistas.
A grande máquina destruidora de almas viajava anos luz em direção ao esconderijo.
Os últimos torturadores respiravam penosamente.
Nos escombros do que havia sido a Terra,
Os amantes compartilhavam os seus últimos momentos escolhidos pelo destino.
Os lamentos da caça escorriam pelos seus lábios, algo denominado
Amor.
No calor do momento, o desespero dos culpados ecoou nas sobras da humanidade.
"Quão frágeis nós somos..."
O contrato final foi selado com o beijo.
Dois minutos para a meia- noite,
O lado negro da lua surgia nos horizontes e a
Vida fora ceifada do Universo.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Heterocromia
Nos teus olhos, querida, o luar é ofuscado diante do
Mar de cores que tu deixa ao passar.
A juventude é destacada pelas ações corporais e a
Paixão exalada pelos poros.
Os feromônios deixados por você, formam a trilha da perdição.
Tão solitário no preto, encontra-se o vermelho no estático coração aleijado.
Disparando sobre as curvas eletrificadas, tu atingiu o alvo errado.
Eram azuis ou verdes?
O embaralhamento mental é inevitável.
Os belos labirintos trazem o que nunca quis.
"Uma bebida, garçom."
Os contrastes ficarão atraindo vítimas em potencial.
Ah...
Nossas cores.
domingo, 8 de abril de 2012
Adeus
O universo paralelo era a sua moradia.
Um tanto inóspito pelas guerras, o fogo vermelho
Tremeluzia para o ex nômade.
O cósmico conspirava.
Com a bengala no chão, liberdade era viver.
Matutando embriagado, os outros desejou ajudar.
Não houve pagamento,
A mesma e velha história.
O doce doutrem amargava os lábios partidos.
A verdade era mascarada.
A humanidade jazia modificada.
E se o sabor inexistente da pureza pode mudar,
Os sábios por natureza também.
Por que não?
Assinar:
Postagens (Atom)