sábado, 23 de junho de 2012

Penumbra

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Em algum ponto daquele lugar chamado Terra, as vítimas estavam desejando o mesmo. É raro essa telepatia humana funcionar e essas vítimas cruzarem-se pela estrada. Não foi que aconteceu? Rápido e repetidamente, o Cosmo conspirou para que o dia terminasse melhor do que começou. E lá se foram solitários e esperançosos por aquilo que desejavam nas trocas de olhares subtendidos.
Era pra ter sido apenas uma proposta indecente, mas acabou atenuando tudo aquilo que atormentava os ânimos. Decididamente, não esperavam toda essa história.


O relógio marcava 00:00 A.m e o horizonte que antes estivera nublado e com ar fúnebre, estava quase tão belo quanto a moça desta história. Após encontrar o moço que tanto a assombrava e a fazia sorrir, deram as mãos e caminharam por aquelas ruas até o pequeno arco que ficava próximo ao mar que estava calmo, só assistindo o casal de apaixonados. Conversaram sobre coisas bobas que os casais apaixonados tanto conhecem. Após devaneios sobre o futuro, eis que outra proposta é feita à moça.


Foram para aquele lugar pouco iluminado e entregaram-se aos poucos, jogando da melhor forma possível o jogo da paixão. Entre beijos e palavras, aqueles olhos penetrantes faziam-lhe estremecer quando um sorriso aparecia nos lábios levemente avermelhados. Deitado em seu colo, revelações foram feitas:
 
“– Com você é diferente...” Falou timidamente.
“– Por quê?” Indagou o moço com um sorriso no rosto.
“– Sei lá, parece coisa de filme.” Confessou.
“– Bem- vinda ao meu mundo, pequena princesa e próxima vítima das tentações mais obscuras que a farei enfrentar.” Brincou e a beijou. 

As próximas horas que passaram foram cheias de palavras doces e beijos de tirar o fôlego. Não havia solidão no meio daquela penumbra que os cercava – mesmo estando sozinhos. Esses momentos são questionáveis quando estamos cercados de pessoas que não nos fazem sentir o mesmo. É um mix entre a paixão, os feromônios e seus derivados. Os primeiros raios solares marcaram a despedida e as últimas palavras:


“– Obrigado!
“– Pelo que?
“– Por deixar o meu dia mais feliz.

E com uma troca de olhares felizes, beijaram-se até que por fim tomaram seus caminhos para aquela rotina pacata e o começo de saudades entre ambos.

domingo, 13 de maio de 2012

Vingança

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Na sujeira da sua ex-muralha, o desejo de vingança flutuava e cegava-o; um surdo-e-mudo por brincadeira do destino. No sofá da sala, a moça estava estática com aquele brutamonte em sua intimidade. Ele, sujeito da vida, buscava o prazer naquelas curvas que um dia foram cheias de charme e desavenças. Quando o líquido transparente foi expelido, simplesmente deixou-se cair ao lado do cadáver e cochilou até o luar entrar pela janela aberta e o acordar. Com as vestimentas dum verdadeiro corvo, olhou para o relógio na parede rachada e uma súbita vontade de matar entrou no seu pobre coração.


O frio da chave de sua Harley-Davidson o trouxe calafrios, mas mesmo assim, deu partida e começou a cantar mentalmente para afastar os demônios que a noite guardava. A cidade estava tão escura que ele pensou que outro furação passara por ali. A baixa luminosidade das vielas dava o tom obscuro perfeito para o assassino obter êxito na sua caçada. O plano perfeito estava para entrar em ação. Apenas alguns minutos... No final da rua, a casa azul destacava-se pela beleza incomum naquele pobre bairro. Desceu de sua Harley e pôs-se em movimento quando um refrão o atingiu: “I've got to break free...


Na fechadura da porta de madeira preta, usou suas táticas de bandido, abrindo-a após poucos segundos e entrou na sala, desejando saciar sua sede de sangue. Sorrateiramente, caminhou pela sala e checando todas as portas que ali havia, subiu as escadas e olhou fixamente para a única porta que estava no final do corredor iluminado por candelabros tortos nas paredes. Empurrou a porta dum modo tão silencioso, que por um instante, ouviu apenas a sua leve respiração e a do homem que matara sua mãe.


O gosto da bílis encheu a sua boca assim que a imagem do homem debruçado apenas de cueca no colchão entrou em foco. O ódio que sentiu limpou as dúvidas que poderia ter naquele momento. Um breve resumo mental entrou em foco: os sorrisos da mãe; os amigos de escola; momentos felizes... o assassinato de sua mãe e o início da metamorfose animalesca da sua alma. Sacou a faca e, depositando toda a sua fúria, desferiu um golpe no pescoço de porco do homem. O futuro morto abriu os olhos e lágrimas caíram, mas não havia mais nada pra ser feito.


Descendo as escadas, deparou-se com uma jovem fechando a porta da sala. A filha do otário pensou. Com a faca na mão, o deleite sanguinário confortou o seu ego mais uma vez na noite.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Transcendente

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O instinto humano é inquestionável.
Frágil diante do medo, a essência da alma é exibida.
Não há saída para as dores, nem para os amores,
É fugir para não deixar-se levar.


E ali estavam os nossos protagonistas: na decadência humana.
Não havia sensibilidade pelo objetivo. A caça era tudo.
O lamento chegava a ser estúpido.
Truísmo.


A perseguição não durou mais que alguns tremores corporais.
Sempre as mesmas palavras e lamentos.
O uivo final!


Observando o tesouro vermelho pelas fendas distintas,
A alma da vítima era derramada de suas presas. O final decadente.
O que merecemos.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"The Dark Side of the Moon"

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Os sóis que ali brilhavam, jaziam ofuscados pela densa neblina.
As raças extintas, eram resultado das grandes revoluções anarquistas.
A grande máquina destruidora de almas viajava anos luz em direção ao esconderijo.
Os últimos torturadores respiravam penosamente.

Nos escombros do que havia sido a Terra,
Os amantes compartilhavam os seus últimos momentos escolhidos pelo destino.
Os lamentos da caça escorriam pelos seus lábios, algo denominado
Amor.

No calor do momento, o desespero dos culpados ecoou nas sobras da humanidade.
"Quão frágeis nós somos..."
O contrato final foi selado com o beijo.

Dois minutos para a meia- noite,
O lado negro da lua surgia nos horizontes e a
Vida fora ceifada do Universo.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Heterocromia

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Nos teus olhos, querida, o luar é ofuscado diante do
Mar de cores que tu deixa ao passar.
A juventude é destacada pelas ações corporais e a
Paixão exalada pelos poros.

Os feromônios deixados por você, formam a trilha da perdição.
Tão solitário no preto, encontra-se o vermelho no estático coração aleijado.
Disparando sobre as curvas eletrificadas, tu atingiu o alvo errado.
Eram azuis ou verdes?

O embaralhamento mental é inevitável.
Os belos labirintos trazem o que nunca quis.
"Uma bebida, garçom."

Os contrastes ficarão atraindo vítimas em potencial.
Ah...
Nossas cores.