terça-feira, 6 de março de 2012

Parque dos Horrores

3 trocas
O Parque havia fechado para visitação.
O Carrossel girava solitário, exibindo o velho tom monocromático de sempre.
Almas se divertiam no local, mas a casualidade as afastou e a ferrugem foi o que restou.
O silêncio reinou.

Na Casa dos Espelhos, viam- se diversos rostos censurados.
As risadas eram ecoadas por fantasmas mudos, as lembranças.
Reflexos jaziam sem Vida nos estilhaços convidativos.
A saudade reinou.

O Caminho das Águas foi um cenário cobiçado.
Na maioria das vezes, foi calmo. Outras, nem tanto.
O rubro deixado pelos corações partidos, tomou conta da transparência antes existente.

A Roleta - um tanto convidativa -, era o escape perfeito.
Frio, o metal arrepiava todos que o tocavam e deletava aqueles que o usavam.
Seis lugares para um passageiro. Então o sangue escorreu, morno e espesso.

A paz paranóica situou- se na mente aliviada.
O único caminho era turvo e com uma doce voz repetindo a mesma frase:
"Bem- vindo ao Parque dos Horrores."

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"Let it be"

1 trocas

Quantas "últimas chances" serão necessárias pra sanar essa cratera no meu peito?
Cada chance jogada fora vem acompanhada da mais doce frustração.
O veneno agridoce que não preciso e desejo tanto, o
Vício inabalável que me destrói.

Os bloqueios avisam o perigo que o pensamento pode causar,
Então a insanidade chega e me faz ousar.
As tentativas em vão são enterradas e a concepção anterior reformulada.
O que seria feito dos brinquedos quebrados se conservados?

A falta de chuva alastra a mente pra ocultar o estrago e desejar outras saídas.
A cadeia repete- se.
A Vida continua sendo sugada e o exorcismo parece nunca chegar.

O caminho tende a piorar, ficando mais estreito em cada curva ou atalho utilizado.
Se não posso desafiar a Física, terei de seguir ao extremo e aprendendo
Que é melhor aprender antes do que ser vítima de gameshark desatualizado do desconhecido.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Noturnos

2 trocas
Pelo vidro, as luzes da escuridão tremiam e obscureciam as silhuetas.
Por dentro, o frio estava intenso a ponto de congelar o meu corpo.
Nossos passos emitiam a mais bela melodia, a melodia da Vida.
Assim que me tocou, senti o sabor acre de hortelã em sua boca.

Deliberadamente, me entreguei e
Nos seus encantos, me afoguei.
Despertando solitariamente, não exigi nada para ninguém.
Tive o que me convém.

Sozinho no quarto de hotel, deixei os fantasmas do passado me atormentarem.
Fiz o que não deveria... cai em tentação.
Estava anestesiado em dor e prazer.

Pela porta entreaberta, ela voltou e sussurrou ao meu ouvido. Sorri.
O brilho da sua lâmina atravessou o meu coração. Sutilmente, vi a escuridão se fechar ao meu redor.
Noturnos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

"Inacabada"

1 trocas
Horas não contadas,
Os meus sentidos estão desligados.
Preciso fechar os olhos para
Acordar desse devaneio sem saída.

É uma guerra interna, uma batalha ideológica
Auto suficiente destrutível.
O cemitério é o meu recipiente,
Lugar que a alma solitária é aprisionada.

Encolhido na densa escuridão iluminada,
Qualquer desconhecido é conhecido.
Sempre esqueço o principal dessa passagem, afinal...

O recomeço é a contra-mão por onde os erros voltam em ciclos.
Sempre as mesmas coisas, sempre as mesmas indagações.
Acorda.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Entrelinhas

0 trocas
Quanto tempo foi necessário? Nem eu sei dizer...
E com simplicidade, atingiu a minha zona de perigo.
Algumas conversas e muitas risadas.
Um devaneio acordado: meu coração não aguentou.

Exótica, fez as minhas estruturas balançarem.
Encontrei alegria nesse teu jeito jovial de ser mulher.
E de várias formas lutei contra o desejo, mas
Foi inevitável.

Negra, qual é o segredo desse teu sorriso?
É uma complexidade desconexa, um enigma que preciso decifrar.
Bela por existir.

Antes mesmo de pensar em acontecer, havia acontecido.
É um fogo que incendeia os meus sentimentos.
Música que me completa por inteiro.